Milágrima- Pintura feita com nanquim vermelho e preto.

Estava em Curitiba caminhando na altura do passeio público e lá avistei uma mulher encostada na entrada deste parque. Tinha cabelos cacheados, bem maquiada, sombra e batom vermelhos. A mulher me olhava como se não me olhasse, parecia esperar por algo, é o que muitos chamam de profissionais do sexo. Por trás daquele olhar quase inexistente, havia um livro a ser descoberto. Textos que nunca foram escritos, mas que no coração daquela alma feminina havia um enorme desejo de se revelar. Justamente aquela que se expunha e se vendia sexualmente, era um livro fechado, virgem às carências humanas. Uma prostituta virgem de afeto. Emocionalmente retraída, talvez por ter sido tão machucada. Quem sabe ela nuca tenha tido a oportunidade de certos afetos que muitos dizem, dignos apenas das “mulheres virtuosas”. Daquelas mulheres que excedem aos rubis, como diz no livro de Provérbios 31:10.  

O que me intriga é esta pergunta que ouço dentro de mim: por que esta profissional do sexo não pode ser vista como um rubi? Uma mulher virtuosa, já que é preciosa aos olhos do Senhor? Os olhos da fé que me olham pecadora e me reconciliam na cruz é o mesmo olhar dado àquela prostituta que Cristo olha como um rubi. Sim, um rubi! Ainda sujo, talvez pelas dores da alma. Mas ainda assim, um lindo e precioso rubi. Tão potencialmente virtuosa como qualquer cristã, mãe e esposa das famílias mais ajustadas emocionalmente, segundo os olhares humanos.

Agora mesmo eu avisto o olhar de Cristo, que brilha vermelho em mim, pelo poder do seu sangue. O mesmo olhar que me lavou e continua me lavando das minhas trevas. A cor vermelha pintada na boca e nos olhos daquela prostituta se transforma pelo poder que há no sangue derramado na cruz de Cristo. Nos olhos de Cristo a cor do pecado se transforma na cor da redenção. Rubis no passeio público? O que?! Aquelas prostitutas? Sim! Lindos rubis, preciosas ao Senhor, com a graça de serem tão ou ainda mais dignas que muitas “boas moças” que a sociedade já construiu, porque é a cruz que me transforma, muito além das circunstancias e aparências.

Que o vermelho dos meus olhos seja da cor do sangue de Jesus, não do olhar de reprovação ao julgar o pecado do outro. Que os meus olhos sejam dois pontos vermelhos brilhantes, dois rubis preciosos, purificados pelo Espírito Santo. Dois olhos que precisam desesperadamente serem lavados todos os dias pelo brilho de Cristo, o mesmo capaz de transformar qualquer cor do pecado em cor de redenção.

Texto Juliana Bumbeer- julianabumbeer@gmail.com

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