Ilustração com caneta, 2015. Juliana Bumbeer. Mais ilustrações assim em dança.do.desenho

Ele a viu gorda, acompanhada pelas ondulações que pulavam no vestido enquanto caminhava. Branca, despenteada e cheia de sobras. Feia, segundo sua compulsão do que é o belo no ser feminino. Mas sem saber o por quê, as sobras da moça desengordurou o olhar do seu coração entupido pelos padrões de beleza e antes que ele fosse infartado pela sua estética débil e inventada, foi salvo por esta moça. Ela e ele se desengorduraram.

Ela, da decência planejada, rígida e feminista e ele, da pornografia embaçada, siliconada e sofrida. Os dois se curaram com seus corações frágeis, distintos mas famintos de se conhecerem e se reconheceram nos olhos um do outro. Estavam nus e com toda liberdade não se envergonharam. Eles se encararam com a indecência de ser o que eram e todas as inseguranças e medos ficaram maiores, nítidos e entregues um ao outro. Essa transparência trouxe paz e alegria, além de um desejo enorme de se consumirem e consumarem, sem medo de suas sobras. Ela e ele até hoje se desengorduram com suas deliciosas sobras.

4 Comentários

  1. Que texto profundo Ju! Somos mais que apenas o corpo. Somos alguém.. me identifiquei pq já estive dos dois lados e meu amado já haviamos nos “desengordurado” muito tempo atrás hahaha

    1. oi Aninha! Fiquei muito feliz por ter lido o texto. Linda “desengordura” de vocês dois…

  2. Que lindo texto Ju !! Muito sensível e profundo !!
    Essa expressão “sobras que desengorduram” – Genial !!!!!!!!!!!!!!!!!

    1. Obrigada! Vamos continuar nos “desengordurando”… bjos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você também pode gostar de...